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RESULTADO DA ENQUETE SOBRE O CANTO PARACAMBI                               
Como ficou claro, a grande maioria dos que participaram da pesquisa prefere o canto com 10 notas na entrada,ou seja, repetindo apenas o módulo de repetição.Porém o que devemos observar , e aproveitando para responder vários colegas, é que se ouvirmos o disco de vinil, original do pássaro ROMPE NUVEM , veremos que na maioria das vezes ele inicia com módulo de entrada com 9 notas e módulo de repetição com 10 notas,basta apenas ter atenção e ouvir.Mas se mantivermos a atenção também veremos que em algumas cantadas ele inicia no módulo com as 10 notas.Portando se o pássaro Rompe Nuvem iniciava o canto das 2 formas,porque nós vamos querer declarar uma ou outra como mais correta,acredito sim que ambas devem ser tidas como corretas.Ainda temos a entrada com 8 notas,porém esta , a maioria não concorda,pois não existe,está apenas no regulamento.Como sempre estamos prontos para conversas e sempre dispostos a aprender.Um abraço a todos.           

CONFINAMENTO VISUAL DO CURIÓ

Estudos e Pesquisas Elaboradas Por

Dr. Gilson Ferreira Barbosa

Presidente da SOCRIPI-ILHÉUS

TÉCNICA DO CONFINAMENTO VISUAL

1. MÉTODO PARA PREPARO DOS CURIÓS DE CANTO PRAIA GRANDE CLÁSSICO CONFINAMENTO VISUAL NOTA O OBJETIVO DA DIVULGAÇÃO DESTE TRABALHO É TORNAR PÚBLICO TODOS OS AVANÇOS CONSEGUIDOS POR NÓS NESTES DEZOITO ANOS DE PESQUISA E DEDICAÇÃO AO ENSINO DE DIALETOS A FILHOTES DE CURIÓ. ESPERO TER RESPONDIDO COM RIQUEZA DE DETALHE TODAS AS PERGUNTAS QUE A MIM SÃO DIRIGIDAS POR TODOS AQUELES QUE COMPARTILHAM DA MESMA PAIXÃO.

O AUTOR.

01 – MÉTODO PARA PREPARO DOS CURIÓS DE CANTO PRAIA GRANDE CLÁSSICO CONFINAMENTO VISUAL

A capa é sem dúvida um dos acessórios da maior importância na criação de CURIÓS, não só pela proteção que ela propicia ao pássaro em relação às influências de origem física e visual do espaço exterior durante o manejo, mas pela condição de segurança psicológica que ela desenvolve no pássaro produzindo o condicionamento necessário à simples remoção da mesma provocar DESENCADEAMENTO DA ABERTURA DO CANTO DA AVE. Esta prática libera os estímulos condicionados e desenvolvidos pelo uso correto e sistemático da capa, criado pelo momento de quebra da ROTINA E MONOTONIA provocadas pelo condicionamento visual e luminoso imposto pelo uso da capa. O momento da remoção provoca o aumento da luminosidade e a liberação da visualização do espaço exterior elementos estes (luminosidade e visualização) necessários e suficientes para ativar os estímulos que provocam a abertura do canto e funcionam baseados na mudança do estado a que a ave encontra-se adaptada. Esta mudança induz na ave uma nova situação de comportamento à medida que a ela é dada a condição de visualização do espaço exterior, e como resultado, ABRE O SEU CANTO anunciando ao mundo exterior (que lhe é mostrado) a sua presença e tenta estabelecer os seus domínios.

ABRINDO O CANTO, o Curió verifica a existência da presença de um outro nas proximidades. Após um período de 06 (seis) dias de “CONFINAMENTO VISUAL” (encapagem) a gaiola deve ser conduzida ao exterior, procedendo-se à remoção cuidadosa da capa, (deve-se levar em conta que a ave fica muito mais sensível e ativa com seus mecanismos de observação bem mais aguçados) e penduramos a gaiola em local costumeiro e adequado a tal fim e aguardamos a abertura do canto durante 05 (cinco) minutos. Ocorrendo a abertura do canto neste período, observamos a relação existente entre o tempo em que a ave leva cantando e os espaços intercalados entre as cantadas buscando identificar o momento em que a ave começa A CAIR DE PRODUÇÃO (o tempo intercalado entre as cantadas passa a ser maior do que o tempo cantando) a partir da queda de produção o curió (se não for provocado pelo canto de um outro) perde cada vez mais o estímulo adquirido pelo “CONFINAMENTO VISUAL” e tende a parar de cantar voltando ao estágio em que se encontrava antes do uso da técnica aqui descrita. Ao identificar o momento em que o curió começa a cair de produção, a gaiola deve ser removida cuidadosamente do gancho e encapada, sendo em seguida transportada para o interior da residência do criador (ou veículo) e pendurada em local costumeiro. O Curió durante o período em que se encontra encapado não canta, ou melhor, não deve cantar, não deve ser estimulado a cantar com outro pássaro pois estimula-lo a cantar encapado pode comprometer todo o trabalho que está se desenvolvendo. O tempo de exposição recomendado durante o período em que se está desenvolvendo o condicionamento não deve ultrapassar a 30 (trinta) minutos mesmo que o pássaro não demonstre queda de produção. Mantém-se o curió em regime de “CONFINAMENTO VISUAL” constante, propiciando a remoção da capa periodicamente tornando com o decorrer do tempo as remoções diárias. Estes procedimentos não podem sofrer alterações nem variações no seu ritual sobre pena do criador não conseguir estabelecer a rotina do CONDICIONAMENTO PSICOLÓGICO DA AVE, os procedimentos aqui descritos devem ser seguidos rigorosamente para que se alcance os resultados desejados. A gaiola não deve ficar pendurada desencapada por período superior aos recomendados sobre pena de comprometermos todo o trabalho anteriormente desenvolvido, tal atitude rompe a rotina de condicionamento a que a ave está sendo submetida. 

Não ocorrendo à abertura do canto no tempo regulamentar 05 (cinco) minutos, o pássaro deve ser cuidadosamente removido do gancho e a gaiola encapada, sendo transportada para o interior da residência do criador ou veículo, permanecendo confinado por novo período de 06 (seis) dias, quando repetimos o processo até que ocorra a abertura do canto e se estabeleça o momento em que a ave começa a CAIR DE PRODUÇÃO. Durante as exposições visuais não devemos usar nenhum recurso para estimular a ave a abrir o canto, tais como outro curió, reprodução do canto por quaisquer meios tais como Discos, Fitas k-7, CD (s), ou mesmo assobios, estalar de dedos ou lábios produzidos pelo criador, o curió deve abrir o canto mediante os estímulos desenvolvidos pela prática do CONFINAMENTO VISUAL.

O criador observará durante as primeiras exposições que a ave desenvolverá uma sensibilidade muito grande em relação a tudo que se move ao alcance da sua visão tal como pardais, lagartos nos muros, borboletas, libélulas etc. respondendo às vezes com a emissão de assobios ou serradas ou com a interrupção da cantada que estava executando o que demonstra ser tal comportamento um bom sinal de que o método esta sendo assimilado e verificamos aí o surgimento do comportamento INTERATIVO.

O curió estará PRONTO (em forma) ou seja, devidamente desenvolvido, quando responder a remoção da capa COM A IMEDIATA ABERTURA DO CANTO sem que se tenha usado quaisquer meios para estimulá-lo e apresente no mínimo 30 (trinta) minutos de AUTONOMIA DE CANTO sem apresentar QUEDA DE PRODUÇÃO . Mantemos o Curió interativo daí por diante, submetendo-o a exposições diárias (Remoção da Capa) durante 30 (trinta) minutos de preferência pela manhã.

Se o Curió possui aptidão para repetição de canto, ou é um repetidor (executa o Módulo de Repetição cinco ou mais vezes com muita freqüência), não devemos colocá-lo em nenhuma hipótese para disputar canto com outras aves, sobre pena de tornar-se dependente de tal prática para se estimular (ficar fogoso), bem como poderá adquirir vícios durante a disputa se os companheiros não forem dotados do mesmo dialeto, e se não cantarem com a mesma perfeição. 


O QUE FAZER ?

QUANDO O CURIÓ NÃO RESPONDE SATISFATORIAMENTE AO MÉTODO DE CONFINAMENTO VISUAL E NÃO SE TORNA INTERATIVO.

Alguns Curiós não INTERAGEM não abrem o canto por mais que se submetam ao método descrito, ou apresentam pouca evolução. Mantêmse indiferentes aos esforços do criador. Tal fato possui explicação na GENÉTICA DO PÁSSARO em questão, ou no CALENDÁRIO DA AVE. Busca-se modernamente na CRIAÇÃO DOMÉSTICA INTENSIVA a reprodução de pássaros interativos selecionados segundo os seus melhores CARACTERES GENÉTICOS e dentre eles O TEMPERAMENTO tem a preferência da maioria dos criadores e não devemos aplicar o método em curiós fracos de TEMPERAMENTO.

Sendo o Curió ave TERRITORIALISTA por excelência o TEMPERAMENTO INTERATIVO é indispensável no desenvolvimento de qualquer atividade que envolva Competição com o uso do canto. A INTERAÇÃO é ponto de partida para o desenvolvimento de qualquer atividade que envolva os Curiós, portanto o método de CONFINAMENTO VISUAL desenvolvido aqui não se aplica a “CURIÓS FRIOS” ou temporariamente nestas condições por motivos diversos, tais como Muda de Penas , Acidente de Manejo, Uso Inadequado de Fêmeas, Incompatibilidade territorial doméstica etc.

O calendário da ave deve ser observado, pois nada adianta a aplicação do método aqui descrito em curiós que esfriou para TROCAR DE PENAS ou encontra-se em fase DE ENXUGAMENTO DA MUDA .

Pássaros debilitados, apáticos ou com temperamento retraído temporariamente por motivo de esgotamento provocado por exposições prolongadas em disputas de fibra, não devem ser submetidos ao método aqui desenvolvido. Devemos esperar que recuperem A AUTO CONFIANÇA perdida com relaxamento do temperamento, (frouxidão) ou reabilitação do estado de saúde em pássaros debilitados por motivos diversos tais como: Repasse de muda mal feita ou mesmo repetição total da muda que acaba de concluir (ambos os casos provocados por manejo inadequado).

O Autor

Dr. Gilson Ferreira Barbosa

Confinamento Auditivo

Gilson Ferreira Barbosa

O assunto Confinamento Auditivo, embora não seja novidade para a maioria

dos criadores de pássaros canoros suscita ainda muitas dúvidas, daí

permanecer como objeto do interesse da maioria dos criadores de Curiós, em

especial, os iniciantes na técnica da Vetorização do Canto. Alguns aspectos

da questão Confinamento Auditivo encontra-se ainda carentes de

investigações mais aprofundadas, em especial quanto às reações apresentadas

pelos Curiós quando submetidos a este Método. É importante salientar que os

filhotes de Curiós submetidos a Instruções de Canto em regime de

Confinamento Auditivo, reagem de maneiras diferenciadas quanto às

exposições sonoras no interior das Cabines de Vetorização. A duração das

exposições sonoras bem como suas intensidades, tanto na questão do “Módulo

Sonoro Vetorial” ou mesmo nas sonorizações “assessórias” complementares,

tais como sons aquáticos, gravações de filhotes corrichando, som de rádio etc.

observamos respostas diferenciadas entre os filhotes confinados, de uma

mesma origem. Acreditamos que tais diferenciações têm origem no fato da

natureza favorecer com mais sensibilidade auditiva a uns do que a outros.

Sabemos que em vida selvagem os Curiós possuidores de maior sensibilidade

auditiva possuem maiores chances de sobrevivência, já que a sua percepção

auditiva apurada permite-lhes pressentir até mesmo adormecidos a

aproximação de algum predador, até mesmo o rastejar de uma cobra pelo

simples deslocar de folhas secas sobre o solo. Os Curiós pelo que podemos

observar são dotados de níveis diferenciados de sensibilidade auditiva.

Desconcentram-se em relação às instruções de canto a que estão sendo

submetidos, estressando-se quando submetidos a longos períodos de instrução,

não apresentando o rendimento esperado, produzindo comportamento

angustiante com abertura freqüente de asas e exaustão auditiva. O

“enclausuramento acústico” com administração de instruções com níveis

elevados de pressão sonora, ou mesmo silêncio absoluto, (eliminação do nível

de pressão sonora) parecem exercer sobre o sistema nervoso do Curió ação

determinante do seu comportamento. O ajustamento dos níveis de pressão

sonora no interior das Cabines (Instrução de Canto) mediante o controle do

volume e da adequação da fonte emissora das instruções, devem ser buscados

incessantemente em função da sensibilidade de cada um dos aprendizes.

Baixos níveis de pressão sonora no interior das Cabines são causadores de

sonolências e apatias, resultando num baixo aproveitamento quando não

provoca um total desinteresse pela Instrução. O ajuste da energia sonora, o

tempo de duração das instruções, bem como o número e duração das pausas,

são aspectos que devem ser ajustados à sensibilidade de cada filhote,

observada as questões que envolvem o estresse, a inatividade e a sonolência

individual apresentada por cada um.

Estas questões aqui abordadas referem-se à adequação e dosagem dos

elementos sonoros na Vetorização dos filhotes.

As questões de Isolamento Acústico das Cabines e Absorção Sonora em seus

interiores, referem-se a maior ou menor capacidade de determinados materiais

formarem uma barreira, impedindo que a onda sonora “vaze”, ou seja, passe

de um recinto a outro de forma descontrolada e indesejável. Para resolver esta

questão usamos normalmente materiais densos (alta densidade) tais como

madeira compensada e vidro, que devem atender também aos critérios

construtivos e funcionais, tais como: Leveza, bom acabamento, durabilidade e

transporte etc. Já a absorção acústica trata do fenômeno que minimiza a

reflexão das ondas sonoras no ambiente interno. Ou seja, diminui ou elimina o

nível de reverberação (vibração de eco). Neste caso melhoramos internamente

o nível de pressão sonora e com isto o nível de inteligibilidade das

instruções de canto. Contrariamente ao Isolamento Acústico, os materiais aí

empregados são leves e de baixa densidade, constituindo-se nas categorias de

fibrosos, porosos ou de poros abertos como as espumas de poliéster de células

abertas, fibras, tecidos, carpetes, tapetes etc. Praticamente todos os materiais

existentes no mercado isolam ou absorvem ondas sonoras, embora com

diferentes eficácias.

O material que geralmente apresenta um grande poder de isolamento

acústico não tem poder de absorção e vice-versa, daí objetivarmos a aplicação

combinada de ambos para obtenção dos resultados desejados.

A tecnologia industrial tem desenvolvido novos materiais com

coeficiente de isolamento acústico e ou absorção muito mais eficientes que os

materiais até então considerados “Acústicos”. Desta maneira podemos obter

resultados acústicos eficientes com excelentes resultados térmicos, alem de

apresentar boa higiene e baixo índice de deterioração.

As Cabines de Vetorização por possuírem dimensões reduzidas devem

possuir níveis de pressão sonora e reverberação bem definida, para permitirem

o conforto acústico desejado. Níveis de pressão sonoros muito baixos poderão

tornar o recinto monótono e cansativo, induzindo os filhotes de Curiós a

inatividade e sonolência. O bom tratamento acústico das Cabines deve

promover o Isolamento e absorção acústica utilizadas mediante critérios bem

definidos, para obtenção da melhor eficácia. Há de se considerar o

desempenho acústico dos materiais aplicados, bem como a sua fixação

mediante o uso de fitas adesivas tipo Velcron. A sua fixação em relação à

fonte sonora e a facilidade de remoção para manutenção e limpeza é de suma

importância na produção de um ambiente salubre e confortável.

Os falantes deverão ser do tipo Mid-range e serem instalados em Caixas

Sonofletoras capazes de absorver todas as freqüências de rarefação

(freqüências emitidas pela parte traseira do Cone dos Falantes) e transmitirem

ao interior da Cabine apenas as freqüências de compressão (freqüências

produzidas pela parte frontal do Cone dos Falantes).

Gilson Ferreira Barbosa

gilsonbahia@globo.com

Tel- 73 - 3211 8233

O Corrichado & Seu Desenvolvimento.

Teremos de considerar vários aspectos que normalmente surgirão durante a

“Época do Corrichar” e que interferirão no desenvolvimento do corrichado. O problema

a meu ver resume-se em entendermos o porque do Corrichar, e como desenvolve-lo

corretamente para atingir suas finalidades e objetivos. Esta fase, excluindo-se o

processo de Vetorização do canto, é sem dúvida a mais importante e complexa entre

todas no desenvolvimento e formação do canto Vetorizado nos filhotes dos Curiós. O

Corrichar nada mais é que um conjunto de exercícios de vocalização com vistas ao

desenvolvimento da Seringe órgão responsável pelas vocalizações dos elementos

sonoros (assovios) Vetorizados no filhote, portanto se constitui etapa pós-vetorização

e deve manifestar-se no período compreendido entre a Vetorização do Canto e a Muda

de Ninho aos quatro meses de idade.

Vejamos:

1. Filhote que corricha pouco o faz por se encontrar isolado

Em um ambiente desprovido de estímulos tais como um rádio ligado, CD-R

intercalado com som de Cachoeira e água corrente, gravação de outros filhotes

corrichando etc. São nesta fase, indispensáveis ao estimulo do “Corrichado”.

2. Sabemos que o temperamento extrovertido e irrequieto, alegre e brincalhão

(pois os filhotes de Curiós “Brincam” como se fossem crianças) dos filhotes, tem

nos levado a equipar a sua gaiola com elementos ocupacionais experimentais

reduzindo sensivelmente o Stress, caso contrário corricham pouco e buscam

ocupar-se todo o tempo brincando com:

• O comedouro, jogando fora às sementes proporcionando um alto índice

de desperdício das mesmas.

• O bebedouro, proporcionando um alto consumo de água (está sempre

vazio), pois se excitam ao jogar fora a água.

• Jogam fora todo o “Grite” que disponibilizamos em sua gaiola.

• Rasgam e puxam o papel do fundo com muita freqüência.

• Destroem a capa da gaiola puxando as costuras internas, promovendo

às vezes o enroscamento do seu bico, pernas ou língua, bem como

engolem fiapos de tecido ou mesmo linhas provocando às vezes a sua

morte. Devemos usar capas pespontadas e desprovidas de costuras

internas e fiapos que se soltam ao serem puxados.

• Costumam entediados atirar-se com certa violência contra o tabuleiro

da gaiola, tal prática chega a nos assustar.

• Praticam acrobacias do tipo “Salto Mortal” e alçam vôos em círculos

saindo pela tangente.

• Brincam e até brigam com o “osso de Ciba” e “dorminhoco” provocando

às vezes acidentes com o enroscamento da anilha no elemento de

fixação do asso de ciba nas “Talas” da gaiola.

• Costumam entrar em vasos de boca estreita e utilizados como porta

“Tiririca”. Se não forem socorridos a tempo morrem.

• Alguns vitimados pelo Stress entram no compartimento do cocho

escondendo a cabeça por baixo das extremidades do mesmo quando os

removemos para limpeza. (Baixar o volume da instrução de canto nestes

casos).

• Apresentam DPA – Distúrbio de Plumagem e viciam em comer os

canhões das penas, uma vez instalado o DPA o filhote atrasa todo o

processo do Corrichar.

Os aspectos por nós observados são vários, citei apenas alguns para

exemplificar o pouco “Corrichado” em filhotes que se estressam entediados por falta de

uma Terapia Ocupacional. Terapias ocupacionais nesta fase são estimulantes do

Corrichado. “Filhotes de curiós brincam como crianças” e nós precisamos disponibilizar

alguns brinquedos para que brinquem e cumpram o “Corrichar” com êxito e bom

desenvolvimento.

O fim do Corrichado caracteriza-se pelo surgimento dos primeiros assovios, se o

filhote não cumpre com êxito o Corrichar retardará os assovios, pois não desenvolveu

convenientemente a “Seringe” (membranas e músculos seringiais) ainda antes da

muda de ninho, por motivos anteriormente mencionados. Podemos afirmar que esta

fase é a mais importante na vida de um Curió, pois é o momento em que o canto

Vetorizado começa a se manifestar e precisa ser bem conduzido sem interrupções ou

traumas que venham inibir as emissões e desenvolvimento dos primeiros elementos

sonoros.

O pós muda de ninho deve ser caracterizado pela ausência de corrichados e

presença apenas de assovios. Nesta fase encontramos uma diversificação enorme de

comportamentos (que no momento estamos pesquisando e catalogando) proveniente

de um maior ou menor desenvolvimento Seringial. O pós muda caracteriza-se pelo

surgimento e desenvolvimento do temperamento que não deve ser retardado sobre

pena de colocar em risco todo o desenvolvimento canoro do filhote.

Os aspectos do pós “muda” observados em filhotes Tecnicamente Vetorizados

com ou sem a completa conclusão do “Corrichar” leva-nos a um vasto elenco de

observações que fogem ao nosso propósito no momento, contudo registrarei o fato de

que alguns filhotes continuarão a corrichar no pós muda cumprindo desta forma

(tardiamente) o desenvolvimento Seringial.

Num segundo grupo estão aqueles filhotes que continuarão os assovios até

externar totalmente a mensagem canora Vetorizada. Estes cumprirão o corrichado com

bastante êxito e serão “Melhores Cantores”.

Num terceiro grupo encontramos aqueles filhotes que embora tenham concluído

ou não o corrichar e apresentavam antes da muda de ninho a emissão de algumas

notas assoviadas. Concluída a muda retornam ao Corrichar e permanecem nele por

três meses aproximadamente como se tivessem que retornar ao início do processo. É

como se o desenvolvimento da seringe fosse eliminado durante a muda e estes filhotes

são tardios e normalmente pouco desenvolvidos. Registramos ainda a presença deste

retrocesso no desenvolvimento Seringial de alguns Curiós que, depois de concluída a

primeira muda de Preto “Muda Anual” retornam ao Corrichado como se tivesse

esquecido tudo, e o repetem integralmente, apenas apresentando um desenvolvimento

mais rápido.

Este Texto tem como objetivo chamar a atenção dos criadores para o Corrichar

e ajudar o entendimento deste complexo processo. Conhecedores do processo podem

interferir com competência quando se fizer necessário. Antecipei neste texto alguns

aspectos sobre Terapia Ocupacional dos filhotes de Curió “Os Filhotes Brincam” que no

momento encontra-se como sendo a minha principal preocupação no sentido de

entender as relações com o corrichar.

Tenho tido informações de vários companheiros que adotaram o nosso método

(Vetorização de Canto em Filhotes de Curiós) e que já estão colhendo excelentes

resultados, acredito que no decorrer deste ano 2002 teremos alcançado um alto índice

de aprendizado até então nunca atingidos pelos criadores iniciantes. Espero estar

vivendo o início de um “Novo Momento da Criação Doméstica Do Curió”.

O Autor

Gilson Barbosa – BA.

gilsonferreirabarbosa@hotmail.Com

DESENVOLVIMENTO DO CORRICHADO – II

Considerações:

É verdade, um filhote praticamente inutiliza o

outro durante o aprendizado coletivo, o aprendizado

deve ser individualizado. É fato conhecido de todos há

muito tempo que os filhotes de Curiós ao atingirem os

quatro meses de idade (se geneticamente

aprimorados) estão com o canto completamente limpo

de “Corrichados” expressam-se apenas com assovios e

conjuntamente desenvolvem o temperamento com o

surgimento dos primeiros sinais de “Territorialismo”.

São territorialistas e é nesta fase que surgem os

primeiros aspectos desta característica, dentre eles as

disputas de canto que leva um filhote a emitir um

pequeno fragmento do canto para em seguida calasse,

esperando a resposta dos demais, uma vez implantada

esta disputa entre eles, ficam inutilizados para sempre,

pois, adquirem o vicio de cantar fragmentos do dialeto

ministrado, desinteressando-se pelo aprendizado e pela

repetição não se desenvolvendo prejudicados pela

troca de canto que se instala entre eles. Basta que um

filhote execute um fragmento para que todos os outros

interajam imediatamente com outro fragmento que

com o passar do tempo se impregnam de vícios tais

como “Gritos de Guerra” do tipo “Voiaquil”

“Rinharinha” “Viviu” “Remrem” “Lecoleco” “Chauchau-

Vi” ou Serradas etc. Como forma de demolir o

temperamento dos companheiros da estante ou

prateleira até que se estabeleça uma liderança no

grupo. Reside aí nesta fase, o aspecto determinante do

insucesso de todo o trabalho da maioria dos criadores

que não dispõem de espaço para individualizar as

Instruções de Canto e por este motivo “Discordam por

Discordar” é que lhes faltam à base da observação, que

dá consistência a metodologia científica.

Os esclarecimentos destas questões dependem do

nível de conhecimento dos aspectos aqui tratados por

parte dos criadores pois, a metodologia a ser aplicada

depende muito da base de informações e conhecimento

principalmente dos comportamentos “Espontâneos na

Natureza”

Tenho baseado todo o meu trabalho nas

observações que fiz e faço dos Curiós na Natureza,

ainda abundantes em alguns “Sítios Ecológicos

Preservados” da nossa região Sul da Bahia, não me

baseio nos estudos de nenhum pesquisador nem

ensinamentos sejam eles quais forem, principalmente

se destoam das minhas observações, eu divulgo a

minha experiência única e exclusivamente e toda ela é

fruto de observação da “Natureza” ou dos

experimentos que empreendo para formar minha

opinião. Só concordo quando comprovo plenamente os

fatos, não me importa de onde venha a informação,

para mim ela será verdadeira se eu puder por em

prática e comprovar caso contrário fica como

informação genérica a comprovar. Era este o

esclarecimento que queria fazer.

Tenho observado em vida Silvestre que os filhotes

de Curió ficam independentes dos pais quando

completam algo em torno de 30 dias de nascidos, e

permanecem no seu convívio por mais 15 dias quando

se intensifica o “Corrichar” que ao se instalar passa a

incomodar o pai que os expulsa do “Território”. Nesta

fase os filhotes expulsos dos diversos territórios se

agrupam em bandos para a prática do “Corrichar” e,

parecem buscar as margens dos Regatos, (aí são

encontrados) Corredeiras e Cachoeiras para se

estimularem, e desta forma desenvolverem um

corrichar intenso. Nesta fase já se encontram com o

Dialeto do Pai completamente Vetorizado (vetorização

espontânea ocorrida durante o período de dependência

dos pais) dependendo apenas do desenvolvimento

Seringial para produzirem os primeiros assovios, o

período do “Corrichar” é variado entre os filhotes que

também possuem idade variada dentro do bando, logo

acreditamos que o período do “Corrichar” em filhotes

de Curiós Selvagens dure cerca de 6 meses, (período

este reduzido para metade com a estimulação e o

aprimoramento Genético em domesticidade) logo,

temos convicção de que durante o “Período do

Corrichar” os filhotes não vetorizam absolutamente

nada em termos de informação canora pois já o fizeram

com a “Vetorização Espontânea” durante o convívio

com os pais, agrupam-se para Corrichar e buscam

estímulos na própria natureza, daí as minhas

preocupações com o estímulos do Corrichar em

domesticidade. Estamos convencidos de que o corrichar

nada mais é que exercícios de desenvolvimento da

“Seringe” ou melhor, das membranas seringiais em

número de duas para a produção dos assovios. A

medida que surgem os assovios o “Bando”’

automaticamente se desfaz por motivos Territorialistas.

Temos observado, que os filhotes em fase de Abertura

dos Assovios procuram os trechos mais barulhentos do

Rio para Assoviar, é como se buscassem uma proteção

aos assovios dos outros companheiros que também se

comportam da mesma forma originando-se aí o

princípio dos Territórios.

Observamos que, mesmo na natureza, os filhotes

buscam o isolamento no barulho das águas das

Cachoeiras para Abrirem Os Assovios, é a proteção

natural, e como fica em domesticidade?

Esta é a nossa observação da “Natureza” contudo

cabe ressaltar duas linhas distintas de conduta por

parte do criador na domesticidade da criação. As

limitações (escassez) de espaços para desenvolver a

contento o acompanhamento e lapidação do canto dos

filhotes nos obrigam a duas linhas distintas de conduta.

1. Primeira Linha

Confinamos os filhotes provenientes de

ninhadas especiais conjuntamente com a sua mãe

a partir do 16° (décimo sexto) dia de vida (logo

após a saída do ninho) em Caixas, Cabines ou

Gabines de Vetorização com ventilação mecânica e

sonorização embutida controlada por Timer,

sensores ou Computador. Ministramos as

Instruções de canto de nossa preferência mediante

CD-R DIDÁTICO DE INSTRUÇÃO e específico para

tal finalidade. Recomendamos a leitura dos

seguintes artigos disponibilizado no Site:

www.curioonline.hpg.com.br

• VETORIZAÇÃO EM FILHOTES DE CURIÓ

• CONFINAMENTO VISUAL DO CURIÓ

• CRITÉRIOS DE SELEÇÃO & CONCEITOS

Ao completarem trinta dias de nascidos, os filhotes

confinados já se encontram completamente vetorizados

(este período corresponde à permanência dos mesmos

junto aos pais em vida Silvestre). Devem em seguida

ser apartados encapados e confinados. Segundo o

artigo CONFINAMENTO VISUAL DO CURIÓ.

2. Segunda Linha:

Procedemos de forma idêntica a primeira “Linha”

quanto à “Vetorização de Canto”, contudo os filhotes

por motivo da quantidade e dos custos financeiros

(investimento) do espaço necessário ao

confinamento, são encaminhados para uma

prateleira a onde ficam em grupo isolados

visualmente porem compartilhando da mesma

instrução de Áudio e escutando-se mutuamente

durante todo o “Corrichado”, ora, sabemos que o

corrichado é um exercício, (estamos convencidos

disto) e que neste período não ocorrem vetorizações,

sabemos ainda que o corrichado de um filhote

estimula o do outro e que buscam o som das águas

para se estimularem, sabemos ainda que sendo o

corrichado um exercício, quanto mais se praticar

melhor, porque mais rapidamente abrirão os

assovios possibilitando a formação do canto em

tempo recorde. Devemos apenas evitar o “cantar

sem fim” de alguns “Filhotes Especiais” na fase de

ABERTURA DOS ASSOVIOS. À medida que a Seringe

começa a ser capas de produzir assovios uma

sobrecarga provocará a temida “ROUQUIDÃO” do

filhote muito freqüente, podendo leva-lo inclusive a

morte.

Devemos ficar atentos ao desenvolvimento do

Corrichado, que dura de 45 a 90 dias em filhotes

aprimorados, precisamos observar o surgimento dos

primeiros assovios para efetuarmos a identificação

do filhote e a sua exclusão do grupo, pois inicia a

abertura dos assovios e neste momento

procederemos ao confinamento, estes cuidados são

indispensáveis. Caso não se faça de imediato,

instalar-se-ão no grupo os mencionados aspectos

TERRITORIALISTAS anteriormente mencionados

inutilizando todo o grupo. As disputas que se

instalarão com trocas de “Fragmento” de canto

inutilizará todo o grupo. Devemos acompanhar o

desenvolvimento da abertura dos assovios e a

lapidação do canto de forma individualizada, pela

própria observação da Natureza.

A afirmativa de que “O corrichado que estimula é

o mesmo que atrapalha” é totalmente equivocada e

não deve ser levada em conta, devemos observar os

acontecimentos, cada um em suas respectivas

épocas, Corrichado, Abertura de Assovios e

Formação de Canto.

Um forte abraço,

Gilson Barbosa – BA.

VETORIZAÇÃO DE CANTO EM FILHOTES DE CURIÓS

(RESUMO)

1. DEFINIÇÃO

Vetorização é o nome que damos ao resultado canoro

conseguido através do estado “psicológico condicionado” resultante

da atuação de elementos sonoros, instrução do dialeto da espécie ou

situações sonoras exteriores, impressas pelos órgãos dos sentidos, em

momentos “geneticamente pré-estabelecidos” para memorização do

dialeto da espécie. Ex: O filhote foi vetorizado com o canto Praia

Grande Clássico. A afirmativa diz respeito a que tal filhote, embora

estando na fase do corrichar na época apropriada irá assoviar tal

dialeto, pois o mesmo encontra-se Vetorizado. O filhote passa a ser

portador desta informação tornando-se um vetor deste dialeto que se

encontra impresso.

2. CARACTERES DESEJÁVEIS DO FILHOTE

Deve ser comprovadamente filho de Curió de excelente

TEMPERAMENTO (fogoso), possuidor de BOA VOZ e

REPETIDOR DE CANTO e já ter transmitido tais caracteres a

filhotes de ninhadas anteriores.

Deve ser comprovadamente filho de Curiôa de excelente

TEMPERAMENTO (fogosa), filha de curió possuidor de BOA

VOZ REPETIDOR DE CANTO e já ter transmitido tais

caracteres a filhotes de ninhadas anteriores.

3. QUANDO INICIAR O PROCESSO

Após o nascimento do filhote em questão, mais precisamente no

16º (décimo sexto) dia de nascido, ou seja, 3º (terceiro) dia após a

saída do ninho (momento em que ocorre a manifestação dos

INSTINTOS SELVAGENS do pássaro e ele perde a ingenuidade

característica dos NIDÍCOLAS), momento em que o filhote fica

arredio, arisco, (NIDÍFOGA) e tenta fugir da presença do criador,

atentando contra as grades da gaiola, é neste momento que devemos

iniciar o processo de VETORIZAÇÃO do dialeto mediante a

implantação do método de CONFINAMENTO ÁUDIO E VISUAL,

ainda em companhia da mãe.

4. MÉTODO DE VETORIZAÇÃO DO DIALETO

CONFINAMENTO AUDITIVO E VISUAL

Conduzimos a gaiola da fêmea para uma Gabine de

Vetorização ou recinto aonde as influências externas são totalmente

eliminadas (ausência total de qualquer tipo de manifestação sonora)

exceto a exposição sonora do DIALETO que se pretende vetorizar

denominada de INSTRUÇÃO, executada através de equipamento

CD-Player Programável, Toca Fitas Auto Reverse ou Pássaro

Eletrônico com excelente qualidade sonora, com exibições

controladas por TIMER em número de 03 ou 04 exibições diárias com

duração de no máximo 15 (quinze) minutos cada e intercaladas por

pialadas e chamados entre cantadas, distribuídas da seguinte forma e

horários.

- Das 05:30 (Cinco e trinta) horas às 05:45 (Cinco e quarenta e cinco)

horas da manhã.

- Das 07:00 (Sete) horas às 07:15 (Sete e quinze) horas da manhã.

- Das 09:00 (Nove) horas às 09:15 (Nove e quinze) horas da manhã

- Das 17:00 (Dezessete) horas às 17:15 (Dezessete e quinze) horas

Os espaços compreendidos entre as exibições serão preenchidos

com a utilização de um rádio sintonizado em emissora FM com

volume moderado tendo como finalidade provocar o estímulo canoro

do filhote e ao mesmo tempo criar uma dinâmica sonora no ambiente

intercalada por falas do locutor quebrando a monotonia do

confinamento, evitando que o filhote se interesse por eventuais

influências sonoras que por ventura penetrem no ambiente. O volume

do rádio não deve exceder a certos limites, pois há uma tendência dos

filhotes tentarem suplantar o volume do rádio, transformando-se no

decorrer do tempo em verdadeiros gritadores o que prejudicaria a

formação do seu timbre, estragando para sempre o seu canto por

adquirirem tal hábito. Caso seja usado Gabines de Vetorização, os

espaços compreendidos entre as exibições poderão ser preenchidos

por gravação sonora do barulho de água corrente como fonte

estimulativa.

Ao completarem 30 (trinta) dias de nascidos os filhotes são

separados do convívio da mãe que retornará ao criadouro para

produzir a próxima ninhada ou se durante a cria dos filhotes ocorrer

da fêmea solicitar a cópula (pedir gala), os filhotes devem ser

temporariamente removidos da gaiola de criação para um recinto

sonoramente seguro enquanto a cobertura da fêmea é efetuada longe

da presença dos filhotes que em nenhuma hipótese devem ouvir o

canto e as serradas do padreador durante a cópula sobre pena de

inutilizarmos os filhotes. Logo em seguida retornamos os filhotes ao

convívio da mãe que fará a postura e iniciará a incubação dos ovos

sem negligenciar a sua tarefa de alimentar os filhotes separados por

grade divisória.

5. APARTAÇÃO

Aos 30 (trinta) dias de nascidos os filhotes são apartados da

mãe em gaiolas individuais e encapados permanecendo no mesmo

regime em que se encontravam anteriormente. Agora, sem a presença

da mãe, inicia-se o CORRICHAR.

Procede-se em seguida a SEXAGEM,

permanecendo no recinto apenas 01 (um) macho ou em caso de 02

(dois) machos na ninhada, o de melhor temperamento. Em nenhuma

hipótese o filhote em questão deve ouvir ou trocar canto com outros

filhotes. O ensino é individualizado por questões territorialistas e

da busca do aprendizado com a máxima perfeição, sendo ainda que,

os filhotes que aprendem a cantar em pequenos grupos adquirem uma

série de hábitos indesejáveis, tais como abrir o canto e logo em

seguida interrompê-lo para escutar a resposta do companheiro.

Estabelecido este vício ficam inutilizados para sempre, o grupo não

desenvolve o caractere repetição e passa a emitir apenas fragmentos

do dialeto ministrado no afã da disputa que se instala entre eles por

QUESTÕES TERRITORIALISTAS.

O filhote que submetemos ao método de CONFINAMENTO

AUDITIVO E VISUAL após a apartação já tem memorizado todo o

dialeto contido nas instruções, ou seja, O CANTO ESTÁ

VETORIZADO e como a encapagem da gaiola lhe tira a visão, tal

fato o leva a aguçar a audição (fenômeno este muito conhecido

entre os deficientes visuais) buscando dar conta do que acontece no

ambiente onde se encontra confinado emitindo chamados ao menor

movimento no recinto. A partir deste ponto passamos a ter o máximo

de rendimento do método, mais também o máximo de cuidado com

eventuais invasões sonoras indesejáveis no ambiente. Continuamos

com as instruções nos horários anteriormente estabelecidos, bem

como a utilização do rádio que pode ter o seu volume um pouco

aumentado tendo em vista o aguçamento auditivo do filhote e,

possibilidades de contaminação sonora vinda do exterior. Tais

preocupações são dispensáveis com o uso das Gabines de

vetorização. Com o crescente desenvolvimento do corrichar o criador

tende a submeter o filhote a um maior número de instruções e

exposições mais duradouras. Tal tendência deve ser controlada sob

pena de inutilizarmos o filhote, pois o excesso de instruções nesta fase

é totalmente desaconselhada, tendo em vista que o filhote já foi

vetorizado. Precisa-se apenas nesta fase exercitar-se estimulado pelo

som do rádio (na natureza os filhotes nesta fase buscam os cursos dos

rios e cachoeiras para estimular-se à prática do corrichado) para

desenvolver a SIRINGE (órgão responsável pela fonação).

Preparando-se para o surgimento dos primeiros assovios, a

intensificação de instruções nesta fase provocará a total inibição do

corrichar com o estabelecimento do medo, desinteressando-se pelo

aprendizado e em casos mais graves se instala o DPA- Distúrbio da

Plumagem do Pássaro com o surgimento da injúria da plumagem

(auto depenação). O filhote deve ser mantido rigorosamente dentro do

esquema previamente estabelecido.

6. MANEJO DO FILHOTE

O ambiente em que mantemos o filhote deve ser relativamente

confortável, bem arejado, desprovido de correntes de vento, umidade

excessiva tais como banheiros e cozinhas e em nenhuma hipótese

deverá ter as paredes revestidas de azulejo, cerâmica ou pastilhas, pois

tais ambientes não absorvem o som (por serem revestidos com

material refletivo e não absorvente) das ondas sonoras provocando

eco (reflexão da onda acústica pelas paredes) e reverberação

(persistência de um som num recinto limitado, depois de haver

cessado a sua emissão pelo pássaro). A conseqüência direta é a má

formação do timbre, com a metalização da voz do filhote, dotando-o

de um timbre com testura irritante, com a eliminação da maviosidade

e maciez. (perde o veludo da voz). Tal preocupação é dispensada com

o uso das Gabines de Vetorização.

O ideal seria um ambiente revestido com cortinas, se possível

paredes revestidas de manta de espuma de nylon ou qualquer material

absorvente sonoro. Aos 03 (três) meses ou próximo desta idade o

filhote confinado inicia a emissão dos PRIMEIROS ASSOVIOS e

em 15 (quinze) dias já está com o canto (ou o que ele estiver

executando como canto) completamente limpo de CORRICHADOS.

O canto a partir desta data será composto apenas por assovios

inicialmente acelerados e meio descoordenados (dizemos que o canto

está turbado) o que vai se ajustando com o passar dos dias. O filhote

apresenta-se bastante agitado, muito nervoso irritando-se com muita

freqüência, principalmente com o dorminhoco (pequeno poleiro alto

da gaiola), efetuando com freqüência uma espécie de vôo giratório

em torno da extremidade do dorminhoco com emissão de sons que se

assemelham a um CHILREADO que acompanha os movimentos

circulares (três a quatro voltas completas e contínuas no ar) que se

assemelham ao pairar de um beija-flor em visita a uma flor, só que no

caso em questão a extremidade do dorminhoco faz às vezes da flor e o

filhote gira voando em torno da extremidade. Tal movimento é

conhecido entre os criadores que usam o método pelo o nome de

BEIJA-FLOR .(Não confundir com Salto Mortal LOOPED etc.).

Neste estágio, passamos a ministrar a instrução apenas duas

vezes por dia (início e fim do dia), tomando por base a prática do

método, temos verificado que os filhotes não suportam a

massificação das instruções e se estressam retraindo-se,

comprometendo todo o desenvolvimento da ALTO CONFIANÇA

no momento em que começa a ter as primeiras experiências com o

canto. As conseqüências são as piores possíveis, pois com instruções

desnecessárias ocorre o desinteresse total do filhote e se estabelece o

medo. Neste estágio o canto já se encontra vetorizado precisando

apenas ser exercitado com tranqüilidade e moderação para que tenha

um bom desenvolvimento. Ministrar instruções Longas e

demoradas, nesta fase do ensinamento estabelecerá Aspectos

Territorialistas no filhote tais como disputas de canto com a

instrução. Tal fato leva o filhote a fragmentar suas emissões de canto

inibindo totalmente o processo de aprendizagem e repetição, quando

não afeta o estado psicológico com o estabelecimento do medo

causando danos irreversíveis tais como: Destruição do

Temperamento (com abertura de asa constante), Auto Depenação,

(arrancamento das penas pela ave) Afinamento (imobilização da ave

no poleiro por longos períodos).

O filhote, em nenhuma hipótese, deve deixar o recinto de

confinamento sobre quaisquer pretextos, e muito menos a capa ser

removida; em nenhuma hipótese deve tomar conhecimento do

mundo exterior para não dividir a sua atenção com o que acontece lá

fora. Nesta fase, qualquer manejo da gaiola pode provocar a

estimulação do temperamento levando o filhote a um estado de

agitação e nervosismo que prejudicará todo o trabalho em

desenvolvimento, pois o manejo precoce pode desencadear o processo

de repetição do canto antes que ele se forme completamente levando a

ave a só cantar fragmentos, não mais se interessando pelo

aprendizado, e pior ainda, estabelecer o hábito de repetir um

fragmento de canto. O estado de agitação e nervosismo

(enfezamento) que acometem filhotes de excelente procedência o

leva a externar de forma exagerada um temperamento fortíssimo que

conduz o filhote a uma fluência canora super abundante e

exaustiva, provocando um cantar sem limites, levando o filhote a um

estado de rouquidão irreversível quando não o derruba do poleiro

num ataque fulminante que lhes ceifa a vida.

Registro aqui o fato de que alguns filhotes da linhagem

ESTRELA BAIANA interromperam o corrichado entre 45 (quarenta

e cincoe 60 (sessenta) dias de apartação da mãe, iniciando

precocemente a fase de limpeza do canto com emissões de assovios.

Tal fato, embora muito desejável por parte dos criadores, tem

acarretado uma gama muito grande de problemas, pois a SIRINGE

(órgão responsável pela fonação) necessita de no mínimo 90 (noventa)

dias de corrichado para poder se desenvolver e executar assovios com

a fluência e intensidade característica desta linhagem de excelentes

curiós que se desenvolve no Sul da Bahia. Valho-me do conhecimento

de alguns casos ocorridos entre nós sendo que o de rouquidão tem

sido muito freqüente. Os filhotes aqui referidos começam a assoviar

de maneira exaustiva e ininterrupta, apresentando volume de emissão

de canto e fluência excepcional sobrecarregando a SIRINGE que não

estando completamente desenvolvida começa a apresentar problemas

que vai desde a rouquidão (com a perda da afinação e em seguida da

voz) até a morte do filhote.

Em tais casos, o filhote deve ser contido a qualquer custo. Deve

ser conduzido a local onde predomine a penumbra (presença parcial

da luz) e desativado todos os meios e recursos de estimulação do

canto tais como: sons produzido por rádio, reprodução de instruções

através de quaisquer meios, predominando o silêncio absoluto

inclusive a eliminação de quaisquer influências externas, em especial

o canto de outro pássaro, devendo predominar a tranqüilidade e o

silêncio absoluto mesmo que em último recurso tenhamos que colocalo

cara a cara” com um outro filhote fêmea , de idade semelhante,

durante o tempo que se fizer necessário para a recuperação dos danos

por ventura já causados na SIRINGE ou por prevenção. Em casos de

lesão a SIRINGE, (rouquidão do filhote) ministrar no bebedouro

água potável com pequenos pedaços de casca desidratada da fruta

ROMÃ, (fruto da romãzeira) que tem dado bons resultados. Não

exagerar na quantidade de casca, pois a mesma produz rapidamente

coloração amarelada na água com um forte amargor. O tratamento

deve ser suave e durar até cessar a rouquidão. Lesões da SIRINGE

por exaustão tem sido uma preocupação constante entre os criadores

da raça ESTRELA.

Ao atingir os 04 (quatro) meses de idade o filhote já emite todo

o dialeto ensinado apresentando algumas dificuldades, tais como: a

emissão em demasia de determinadas notas ou a eliminação de

outras, verificando-se com freqüência no caso do Canto Praia

Grande Clássico uma desordem na estrutura do canto por ser muito

extenso e variado.

Alguns filhotes negam a entrada de canto, outros os

arremates, outros ainda, fazem uma confusão generalizada. Tudo

depende especificamente de cada um, de uma maior ou menor

capacidade de assimilação, sendo que algumas características estão

sempre ligadas a outras, ou seja, uma característica provoca o

surgimento de outra, é a causa gerando um efeito. Vejamos, os

filhotes que apresentam o canto bastante desordenado geralmente

são muito fluentes e emitem com muita rapidez e facilidade tríades

(conjunto de três notas) que predominam no canto Praia Grande

propiciando a confusão a que me refiro, pois bem, tais filhotes são

geralmente os que irão repetir canto, pois a fluência associada ao

fôlego são condições indispensáveis para tal fim. Os filhotes que

emitem demasiadamente certas notas o fazem porque ainda não

automatizaram a emissão correta do canto e tendem a executa-lo todo

em tríade (conjunto de três notas) não observando os conjuntos de

duas notas (dual) que eles executam como tríades acrescentando uma

nota a mais. Temos observado que certa deficiência ocorre por

excesso de determinada qualidade, os filhotes apresentam tendências

das mais variadas, compete ao criador identifica-las e dosa-las

buscando a formação correta do dialeto. Aí começa a etapa de

lapidação do canto.

AUTOR

GILSON FERREIRA BARBOSA

Rua da Espanha, 86 Lot. São Judas Tadeu

Itabuna – BA CEP- 45.600-000

gilsonferreirabarbosa@hotmail.com

Utilidade e utilização da consangüinidade na criação I

Muito elogiado por alguns que declaram ser esse método excelente se as linhagens são de

boa qualidade, por vezes ele é execrado por outros experts. Os criadores foram por muito

tempo geralmente hostis ao método da consangüinidade, muitas vezes com veemência,

apesar de que muitas raças de animais foram desenvolvidas inteiramente desta forma.

A consangüinidade é um método de reprodução no qual são associados reprodutores de

uma mesma família, aparentados por graus mais ou menos próximos. Efetivamente,

segundo uma codificação precisa, há tantos graus de parentesco de gerações em linha direta

quanto em linha colateral, remontando ao mesmo ancestral.

Assim, entre um pai e seu filho há um parentesco dito de 1º grau. Da mesma forma, o

parentesco dito de 2º grau entre um avô e seu neto, mas também entre um irmão e sua irmã.

O parentesco será de 4º grau entre primos-irmãos. A consangüinidade será, portanto

decrescente na ordem seguinte: irmão x irmã, meio-irmão x irmã, sobrinho x tia.

A partir daí, a consangüinidade colateral é utilizada freqüentemente com muito bons

resultados, sob a condição de que os exemplares utilizados sejam "de elite". Ela permite

realmente um alto grau de uniformidade no tipo e em algumas outras características.

Através da consangüinidade, pode-se concentrar nos indivíduos reproduzidos os genes de

um ancestral que já tenha sido utilizado muitas vezes naquela linhagem.

A consangüinidade, também, tende a separar em famílias distintas, cada uma remontando a

um determinado ancestral, do qual se tenha desejado fixar as características.

Entre essas famílias é impossível praticar uma seleção familiar. A consangüinidade linear

aumenta notavelmente a homozigose e o "poder raçador". Nós retornaremos posteriormente

a estes dois pontos.

As aplicações práticas da consangüinidade linear são interessantes para se considerar. É

evidente que se um certo macho produziu, com fêmeas diferentes, filhotes de qualidade

superior à de suas mães, não se deve hesitar em utilizar o poder raçador deste reprodutor e

fixar suas características.

Deve-se, portanto, aumentar a relação de parentesco entre seus descendentes e ele mesmo

por utilização de consangüinidade em linha direta. Se o reprodutor tiver morrido, poderá ser

utilizado indiretamente através de seus descendentes: nesse caso, sempre é importante

aplicar rapidamente o método de consangüinidade em linha antes que a relação de

parentesco entre os ditos descendentes daquele reprodutor torne-se mais baixa. Será mesmo

conveniente recorrer à consangüinidade colateral entre primos-irmãos.

Uma outra aplicação da consangüinidade linear é o estabelecimento de uma linhagem,

problema que pode se apresentar a alguém que começar uma criação.

Para estabelecer a linhagem, é necessário inicialmente adquirir exemplares de excelente

qualidade, em perfeitas condições de saúde e plenamente de acordo com os padrões da raça.

As fêmeas deverão ser acasaladas com um único macho, originando da mesma linhagem

que elas, descendentes, portanto de um mesmo reprodutor.Esses cruzamentos permitirão a

obtenção de filhotes dentre os quais se poderão selecionar os melhores.

Nos casos em que esse procedimento não seja possível, poderíamos partir de uma única

fêmea como base. Ela deverá ser acasalada inicialmente com um excelente macho de uma

linha de sangue diferente e depois com outro macho igualmente bom, mas com algum grau

de parentesco com aquele utilizado da primeira vez.

Deveremos selecionar os melhores filhotes dessas duas ninhadas, que na temporada

seguinte serão acasalados entre si e produzirão filhotes de qualidade homogênea,

teoricamente muito boa.

Se após algum tempo de utilização de consangüinidade em linha aparecerem sinais de que

ela tornou-se muito estreita na linhagem (os sinais de alarme mais comuns são o

aparecimento de indivíduos instáveis, doentes e também a diminuição da vitalidade

reprodutora dos jovens exemplares produzidos), poderá ser necessário introduzir "sangue"

novo. É o chamado "outbreeding". A melhor maneira de fazê-lo sem danificar o trabalho

anteriormente desenvolvido será procurar um reprodutor com 50% de sangue diferente.

Na prática, deveremos reintroduzir na linhagem um macho que seja filho de um reprodutor

da linhagem desenvolvida por consangüinidade com uma fêmea de linhagem totalmente

diferente. A consangüinidade que tende a aumentar o número de produtos homozigotos faz

também aparecer todas as taras e todas as características defeituosas que por ventura

existam na linhagem no estado recessivo.

Assim, quando essas características aparecem deve-se proceder a uma seleção implacável e

guardar para reprodução apenas os indivíduos que tenham produzido os filhotes mais

saudáveis, melhor constituídos, os mais próximos do padrão.As possibilidades de se

alcançar o progresso almejado são maiores quando se utilizam para a reprodução em

consangüinidade exemplares escolhidos segundo a observação do genótipo de seus

descendentes, pois só assim teremos certeza de que eles possuem os genes desejados.

A porcentagem de indivíduos homozigotos aumenta dentro de uma determinada população

com os acasalamentos consangüíneos (lei de Hardy) na mesma proporção em que

aumentam as chances da transmissão de um determinado caractere dos genitores ancestrais,

macha ou fêmea.

Por uma estreita consangüinidade a probabilidade de obtenção de indivíduos heterozigotos

diminui sensivelmente: eles tendem a desaparecer devido à utilização dos acasalamentos

consangüíneos, pois só os indivíduos subsistem enquanto se aproxima mais a

homogeneidade da população.

É evidente que a consangüinidade estreita, mais ou menos incestuosa, como a indicada nos

exemplos anteriormente citados é a chamada "in and in" dos anglo-saxões, consistindo em

acasalamentos entre pai e filha, filho e mãe, irmão e irmã.

O risco de aparecimento de taras recessivas é evidente o mesmo do surgimento das

características desejadas, e é isso que justifica o aforismo de lush: "A consangüinidade não

é crime, ela descobre o crime". As taras, os defeitos e as qualidades são condicionados por

genes que, por vezes recessivos, aparecem graças a homozigose, já que estavam

mascarados anteriormente pela heterozigose dos genitores ancestrais.

Utilidade e utilização da consangüinidade na criação II

Uma consangüinidade distante consiste no manejo de indivíduos pouco aparentados. O

"inbreeding" ou cruzamento entre parentes é a aliança de dois indivíduos que estão

separados por três a quatro degraus de parentesco. O "lenhe breeding" é aquele em que os

exemplares acasalados estão separados por quatro ou cinco degraus de parentesco. Então,

quando se fala de consangüinidade distante, significa que mais de cinco degraus de

parentesco separam os reprodutores acasalados.

Os resultados da consangüinidade são sempre rápidos, contrariamente aos obtidos por

simples seleção. A rapidez é mesmo chocante quando se trata de cruzamentos de

"inbreeding" repetidos.

A utilização da consangüinidade gera controvérsias há muito tempo, e o problema é pouco

esclarecido devido à parcialidade dos criadores e à inexatidão dos ensinamentos tirados de

experimentos e ensaios práticos. A utilização prática da consangüinidade exige certas

precauções, resultantes da estrita observação de regras bem codificadas pelo Dr. Roplet,

que serão apresentadas nas linhas a seguir:

- Regra um:

A consangüinidade que tende a homozigose produz a pureza, mas somente para a qualidade

considerada pelo criador. Isso quer dizer que se os caracteres que o criador deseja melhorar

beneficiam-se efetivamente desse método, outros caracteres não considerados irão

degenerar-se. Isso pode acontecer por negligência, por escolha ou por impossibilidade

material (números de casais utilizados) de eliminar os pássaros recessivos para esses

caracteres secundários.

Portanto, deve-se absolutamente evitar o abandono provisório da melhoria de certos

caracteres considerados como secundários e também a concentração de espécies de

esforços unicamente na melhoria das qualidades primordiais, contando reverter

posteriormente a situação, para então voltar a trabalhar aquilo que se tenha

momentaneamente desconsiderado.

Efetivamente, se uma determinada característica é negligenciada, os indivíduos criados não

mais a portarão, por resultado da homozigose (lei de Hardy) e não será mais possível

reintroduzi-la, exceto pela infusão de "sangue novo" que, invariavelmente, provocará a

destruição de todo o trabalho já realizado.

Há evidentemente necessidade de considerar-se numerosas características, uma vez que se

ocupando unicamente de trabalhar as qualidades de tipo (melanina), podem ser pioradas

outras características (forma, lipocromo, etc...).

- Regra dois:

Os efeitos nocivos da consangüinidade podem ser decorrentes da heterozigose, sempre

devido a cruzamentos em "outbreeding" nas gerações anteriores. Paradoxalmente, a

consangüinidade aumenta nesse caso a variabilidade e a freqüência do aparecimento de

características indesejáveis, mas o grande erro seria voltar aos acasalamentos com outros

indivíduos portadores de uma variabilidade de caracteres ainda maior. O único remédio

consiste na continuação de uma consangüinidade estreita com seleção rigorosa dês

recessivos e sua eliminação da reprodução. Na prática, a aplicação da consangüinidade em

cruzamentos com linhagens estranhas (outbreeding) produz indivíduos com características

indesejáveis. Portanto, a única solução é continuar a usar a consangüinidade. Pode-se

concluir daí que a consangüinidade é muito mais vantajosa e benéfica em curto tempo se

praticada com exemplares já relativamente aparentados ao invés de uma população com

linhagens diversas. Podemos inferir que o criador terá o maior interesse em testar a

descendência para evitar a heterozigose. O resultado será uma produção de grande

homogeneidade, com alta porcentagem de indivíduos de boa qualidade. Esses indivíduos

serão quase idênticos e formarão facilmente quartetos de muita harmonia.

- Regra três:

Não se deve jamais utilizar reprodutores inferiores ao ideal desejado pelo criador. A

consangüinidade não traz bons resultados quando a freqüência genética de uma

característica desejada é baixa. É claro que o criador busca fixar essa característica

favorável. Ele deve, portanto, fazer acasalamentos entre famílias aparentadas, até que

produzam um número suficiente de indivíduos excelente para, só então, começar a utilizar a

consangüinidade planejada. O número de indivíduos excelentes deverá ser grande, porque

sempre haverá muitos exemplares de fenótipo inferior para se eliminar. Durante as quatro

ou cinco primeiras gerações, deve-se acompanhar cuidadosamente não a qualidade

particular de um único indivíduo, mas sim a qualidade dos melhores exemplares, que serão

os únicos utilizados como reprodutores.

- Regra quatro:

Não se deve nunca utilizar exemplares defeituosos (homozigotos recessivos para uma

determinada característica indesejável), uma vez que o acasalamento de dois pássaros

defeituosos produzirá com certeza apenas indivíduos defeituosos, e não se poderá jamais

voltar à dominância heterozigoto sem "outbreeding". Por outro lado, a obtenção de uma

característica dominante homozigota dispensa a seleção posterior de tal característica.

- Regra cinco:

É desejável que os criadores trabalhem em estreito acordo, em parderia mesmo, cada um

selecionando linhagens diferentes mais de características igualmente boas. O

desenvolvimento simultaneo de várias linhagens é efetiva garantia contra a involuntária

mas inevitável perda de genes resultante da consangüinidade. Poder introduzir um macho

ou fêmea de excelente qualidade nessas diferentes linhagens permitirá a superação de

eventuais problemas, assim como evitará chegar-se a um impasse definitivo. Por outro lado,

coisa muito comum na criação, a data de separação de diversas linhagens não é nunca

muito antiga, e facilmente podemos perceber que muitos exemplares em nossas criações

têm ancestrais comuns, provenientes de um criador líder na época da aquisição do plantel.

Desta forma, se o criador não praticou continuadamente o "outbreeding", a impureza

resultante dos acasalamentos de exemplares de diferentes linhagens não será jamais muito

grande ou muito grave, assim como os cruzamentos com pássaros estranhos não produzirão

perturbações muito importantes.

Utiliza-se, portanto, a consangüinidade quando se deseja produzir exemplaresmuito

próximos daqueles que admiramos. Desta forma, aumenta-se o coeficiente de parentesco

que naturalmente seria reduzido à metade a cada geração, se não utilizarmos a

consangüinidade. Além disso, a consangüinidade apresenta uma enorme vantagem que

justamente vem sendo desconsiderada pelos criadores há muito tempo: ela ajuda na seleção

de genes desfavoráveis, ao fazer aparecerem indivíduos portadores dessas características.

Essa concentração de caracterìsticas indesejáveis em determinados indivíduos facilita a sua

eliminação: basta retirar da reprodução esses exemplares. O ideal seria que um filhote de

cada ninhada acumulasse todos os defeitos.

A consangüinidade permite igualmente a formação de famílias distintas, oferecendo-nos

assim a possibilidade de uma seleção mais severa que aquela feita entre indivíduos

quaisquer, sobretudo quando consideramos as características de difícil transmissão. A

consangüinidade permite, enfim, testar o valor hereditário de um macho "raçador".

O teste da consangüinidade incestuosa serve como prova e constitui o teste mais rigoroso

do valor hereditário de um macho. Esse é o maior mérito do método, permitir a criação de

indivíduos fortemente homozigotos, qualificados como "raçadores".

O poder raçador de um reprodutor á a capacidade de imprimir em seus descendentes

características tais que os façam parecer-se com seus pais e entre si, mais que o normal.

Utilidade e utilização da consangüinidade na criação III

Em zootecnia, é comum designar-se pelo termo "heriditariedade unilateral" o fato de um

produto parecer-se unicamente com um de seus pais. Apenas um dos seus ascendentes

transmitiu as características visíveis. Tudo se passa como se esse ascendente agisse

sozinho,como se o produto fosse fruto unicamente de seus genes, quase umclone. Um

reprodutor que possua essa qualidade é evidentemente um excelente "raçador", possuindo a

capacidade de transmitir suas características a toda sua descendência, sendo chamado por

isso de um "marcador de linhagem". Em contrapartida, alguns exemplares que brilham nos

concursos, apesar de belos, não passam de reprodutoresmediocres. A qualidade de

"raçador", como bem define o Prof. Jean Blain, não é outra coisa senão a posse, por um

reprodutor, de caracteres dominantes que se transmitem na primeira geração. É capacidade

à qual se deve saber atribuir limitações e que a simples seleção não permite manter. Se a

consangüinidade não for utilizada, não há qualquer razão, segundo o Prof. Blain, para que

as características dominantes continuem a aparecer na totalidade dos sujeitos da segunda

geração. Se as boas características de um raçador persistem após várias gerações pode-se

dizer que os sujeitos portadores de caracteres recessivos não considerados foram

eliminados.

Como nós vimos, é melhor usar a consangüinidade estreita a partir de um bom reprodutor

que a consangüinidade distante a partir de um reprodutor médio.

Na prática, não existem reprodutores que transmitam apenas suas características, mas há

reprodutores que possuem características que se impõem. Reportando-nos às leis de

Mendel, o abecedário da criação, é fácil constatar que um reprodutor que possua caracteres

dominantes em dose dupla (homozigose) os transmitirá obrigatóriamente à sua

descendência, ao passo que um reprodutor que possua esses mesmos caracteres em dose

simples (heterozigose) os transmitirá a apenas 50% de seus descendentes. Basta que o

número de filhotes seja pequeno, para que o acaso faça com que nenhum deles se pareça

com seu pai heterozigoto.

De tudo que foi visto até aqui, podemos afirmar que as diversas causas do poder "raçador"

de um indivíduo são:

- a homozigose - se o reprodutor for homozigoto, ele produzirá apenas os genes que nós

selecionamos. Portanto, o poder "raçador" é diretamente proporcional ao número de genes

desejáveis para os quais o pássaro é homozigoto.

- a dominância - um descendente que receba um gen dominante exteriorizará apenas o

efeito desse gen. Portanto, ovalor reprodutor será máximo se todos os genes desejáveis

forem dominantes, e em estado de homozigose.

- a epistasia - fenômeno pelo qual um determinado caracter depende de uma combinação de

vários genes que individualmente produziriam um efeito nulo ou defeituoso. Normalmente,

essa combinação epistática tende a rarear a cada nova geração, e portanto a

consangüinidade linear permite aumentar sua probabilidade de acontecer.

O valor do poder "raçador" de um indivíduo é função dos acasalamentos praticados. Os

defeitos são frequentemente devidos a genes recessivos, e um reprodutor "raçador" pode

possuí-los em heterozigose. Em caso de acasalamento com um outro exemplar qualquer,

aparentemente não defeituoso, mas igualmente heterozigoto para o defeito considerado,

esse defeito poderá manifestar-se como em qualquer outro acasalamento entre

pássarosheterozigotos. Enfim, o poder "raçador" é transmissível apenas naquelas

características concernentes à dominância.

A homozigose de um macho reprodutor não se repetirá em seus filhos, a não ser que as

fêmeas com as quais for acasalado também sejam homozigotas para as características

desejadas. Conclui-se que um alto grau de homozigose só pode ser obtido após numerosas

gerações sucessivas, e pode ser facilmente destruído por um único cruzamento em

"outbreeding".

Vemos, portanto, que na criação deve-se buscar um equilíbrio entre as características

procuradas e as indesejáveis. este equilíbrio depende da habilidade do criador e deseus

conhecimentos, mas depende também do seu "capital inicial" e em particular da abundância

de genes indesejáveis.

Enfeim, o criador deve preservar esse equilíbrio reservando-se o direito de recorrer a outras

linhagens consanguíneas, para corrigir eventuais problemas e para reintroduzir genes

favoráveis perdidos em sua própria linhagem, devido a erros de manejo ou a situações

imprevistas. É conveniente lembrar que fundar uma linhagem é praticar a consangüinidade

"in" e "in". Perpetuar uma linhagem, fixar um novo caracter ou melhorar uma raça

decorrem da prática de uma consangüinidade mais ou menos estreita, que não se deve

hesitar em usar.

O coeficiente de consanguiniedade a partir do qual começa o perigo é funçaõ do objetivo,

da exatidão dos testes, da abundância dos genes indesejáveis, da porcentagem de

eliminação possível, da velocidade de reprodução e das habilidades do criador. A

consangüinidade ajuda na seleção contra os genes desfavoráveis ao fazê-los aparecer, e ao

permitir a eliminação dos exemplares que os possuam.

Se o número de genes recessivos é muito grande, aconsanguinidade revelar-se-á impossível

e a seleção não poderá ser levada a seu termo, uma vez que não será possível alcançar o

objetivo desejado. O criador de animais, qualquer que seja a espécie ou raça, deve

convencer-se de que não há seleção possível ou válida sem consangüinidade, assim como

não há consangüinidade benéfica sem seleção. A produção é uma arte sutil que exige

competência e habilidade, paciência e dinamismo, e também um permanente

questionamento. Finalmente, é de uma judiciosa utilização da seleção, da consangüinidade

e do "outbreeding" que depende o desenvolvimento de cada raça de pássaros que criamos,

fazendo-nos incansáveis pesquisadores/criadores, permitindo a nós, humanos que somos,

reencontrarmo-nos e desenvolvermos calorosas relações de amizade.

autor: Stéphane Vansteelant

fonte: revista Brasil Ornitológico


 
 
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